Um bolo para um príncipe e a tradição de guardar o bolo de casamento

Um bolo para um príncipe e a tradição de guardar o bolo de casamento Hoje a mídia inglesa esteve eufórica, o motivo: o batizado do príncipe de Cambridge, George Alexander Louis, de três meses. Por conta disso, também resolvi entrar nessa onda… A cerimônia foi marcada para 14hs local (12hs no horário de Brasília), sedo celebrada pelo arcebispo de Canterbury, Justin Welby – e como os ingleses são criteriosos com seu protocolo, esteve prevista para durar 45 minutos, o que de fato ocorreu. Assim, na hora marcada, com o príncipe George nos braços, o Príncipe William e Kate Middleton, adentraram à capela do Palácio de St. James, em Londres, mostravam-se animados para a ocasião. O evento foi intimista, só os mais íntimos das famílias foram convidados. Estiveram presentes a rainha Elizabeth e seu marido, o príncipe Philip, o Príncipe Harry, os pais de Kate Middleton, Carole e Michael, os irmãos da duquesa, Pippa e James Middleton, e Camila Parker-Bowles. Um coro de seis homens e 10 crianças cantavam as músicas religiosas, entre elas, "Blessed Jesu! Here we stand", composta especialmente para o batismo de William, em 1982. Pippa e Harry leram trechos da Bíblia durante a cerimônia. As redes de televisão britânicas mostravam desde cedo a movimentação para o batizado, inúmeras pessoas se aglomeravam na frete da capela – cinco mil pessoas assinaram um cartão gigante em homenagem ao pequeno príncipe. Mesmo sendo intimista o evento teve sua “pompa”. O príncipe George teve sete padrinhos (um a mais do que William teve em seu batismo), entre eles uma amiga de infância de Kate e uma amiga da princesa Diana, morta em 1997. Os nomes dos padrinhos foram escolhidos pelos pais do bebê, que procuraram colocar parentes e amigos mais próximos, de ambos os lados. Entre os padrinhos está Zara Phillips, prima do príncipe William, filha da princesa Anne; Oliver Baker e William van Cutsem; Julia Samuel, Emilia Jardine-Paterson e o conde de Grosvenor, todos amigos dos duques, e Jamie Lowther-Pinkerton, ex-secretário privado do casal. William e Kate Middleton romperam com a tradição real ao escolher principalmente amigos da infância e da universidade escocesa de St. Andrews ao invés de reis ou príncipes, como foi o caso de William, cujo padrinho é Constantino, deposto rei da Grécia. De acordo com comunicado oficial, George foi batizado na fonte Lírio com água do rio Jordão, em Israel, onde, segundo a Bíblia, Jesus Cristo recebeu o batismo. A rainha Vitória e o príncipe Albert construíram a fonte em 1841 após o nascimento da princesa Vitória. Desde então, a fonte vem sendo utilizada nos batizados reais. A pia batismal da realeza britânica Kate Middleton mais uma vez seguiu a tradição, e usou vestimenta produzida por estilistas ingleses: um vestido de Alexander McQueen e chapéu de Jane Taylor. Já o traje do pequeno George foi uma réplica dell’abitino, uma roupa feita há cerca de 200 anos para os batizados reais. A criadora do traje é Janet Sutherland, filha de um mineiro escocês que ganhou o título de Bordadeira da Rainha em 1841. Na época, a roupinha foi feita de algodão para a filha mais velha da rainha Vitória e desde então foi utilizada por 60 bebês reais – a original encontra-se muito desgastada, mesmo sendo zelosamente guardada. Assim a Rainha Elizabeth II ordenou uma réplica feitos à mão e perfeitamente iguais. A réplica usada por George foi feita em seda e cetim por uma costureira da rainha Elizabeth. A foto mais esperada é a foto oficial onde a rainha Elizabeth II aparecerá com os três possíveis futuros monarcas britânicos: Charles, William e George, algo que não ocorre desde julho de 1894, quando, no batismo o bebê daquela época tornou-se Edward VIII, imortalizado com o seu pai, o futuro George V, o avô, que será" Edward VII, e a bisavó, a rainha Victoria. Três sucessores da rainha Vitória foram retratados com ela em 1894 Foto oficial feita após o batismo de George mostra pela primeira vez a rainha Elizabeth II acompanhada de sucessores ao trono britânico (Foto: Jason Bell/Camera Press/AP) Uma moeda de cinco libras (seis euros) foi cunhada, especialmente por ocasião do batismo, a primeira vez para uma tal cerimônia. Vocês devem estar se perguntando: cadê o bolo nesta história toda? A Clarence House, residência oficial dos duques de Cambridge, comunicou, que Kate e William receberão os convidados na Clarence House para um brinde onde uma parte do bolo do casamento real, realizado em 2011, que foi congelado na época, será servido aos presentes na recepção. Não se assustem, os ingleses tem essa hábito de guardar os bolos de casamento para come-los tempos depois – pra sorte dos comensais, os meios de armazenamentos e as técnicas de conservação de hoje estão avançadas – mas, estes bolos são tão tradicionais e tão perfeitos para o armazenamento, que não estragam. Como? Vamos entender isso direito… Uma famosa superstição matrimonial dá conta que uma fatia do bolo de casamento deve ser guardada com cuidado e carinho para ser consumida na celebração de um ano de união. Essa tradição não é muito popular no Brasil, e aponta suas origens na Inglaterra, onde acredita-se que partilhar a iguaria nas Bodas de Papel daria sorte para os anos que viriam. Atualmente, embora não exista uma explicação conhecida para o congelamento de um pedaço do bolo do casamento, essa tradição é tão forte entre os ingleses que a própria Família Real segue o costume. O bolo de frutas servido no matrimônio do príncipe Willian e Kate Middleton, por exemplo, foi conservado de acordo com esse ritual. O mesmo já havia sido feito com os bolos das uniões entre o príncipe Charles e a princesa Diana, em 1981, o príncipe André com Sarah Ferguson, em 1986, e a princesa Anne com o capitão Mark Phillips, em 1973. Todos os bolos tiveram fatias leiloadas anos após a realização do matrimônio, chegando a arrecadar, cada pedaço, mais de R$ 6 mil. Em fevereiro deste ano chegou a vez de ser leiloada uma porção do bolo servido no casamento da Rainha Elizabeth II, celebrado em 20 de novembro de 1947. Com 65 anos, o pedaço fez parte de uma iguaria de quase três metros de altura que ficou conhecida como o “bolo de casamento de 10 mil milhas”, em referência aos ingredientes usados em sua confecção, oriundos dos mais distantes países que fizeram parte do Império Inglês, como Austrália e África do Sul. A fatia do bolo do casamento da rainha Elizabeth II A fatia do bolo de casamento da rainha Elizabeth II que foi leiloada em fevereiro de 2013 O leilão do bolo de casamento da Rainha Elizabeth II aconteceu na internet, pelo site PFC Auctions, e foi encerrado na noite de 28 de fevereiro de 2013. A fatia foi arrematada por valor equivalente a R$ 1,600 (560 libras). O comprador não teve o nome divulgado. Fatia do bolo de casamento dos duques de Cambridge leiloada em fevereiro deste ano por R$6.000,00 Assim, os duques de Cambridge acabaram respeitando a tradição, guardaram o bolo e somente agora resolveram degusta-lo. Não sabe-se se haverá fatia a ser leiloada. Para quem não lembra, o bolo do casal real pode dar uma conferida nele (Clique aqui para ver). O bolo oficial do casamento dos duques de Cambridge O bolo especial feito a pedido do príncipe – à base de chocolate e biscoitos. O fato é o seguinte: O fruitcake é a escolha mais popular entre os ingleses e é embebido em brandy, a tal ponto que é esse mesmo álcool que o preserva bem durante bastante tempo. Esta é a grande diferença para os nossos bolos e os demais bolos de casamento: é o álcool que permite preservar durante tanto tempo os bolos, já os bolos que são normalmente escolhidos pelos portugueses não são embebidos em álcool pelo que não se preservam da mesma maneira. Você poderá ver mais sobres os suntuosos bolos dos casamentos reais clicando aqui. Essa história de guardar bolo de casamento, surgiu no século XVII, as convidadas solteiras deveriam pôr uma fatia de bolo debaixo da almofada antes de se deitarem. Dizia-se que assim sonhariam com o futuro marido – as formigas deveriam ter feito a festa com o bolo!!! Um século mais tarde, a fatia foi reduzida para algumas migalhas (que deveriam ser passadas pela aliança da noiva), e, novamente, colocadas debaixo da almofada – ok, o incomodo pode ser menor, mas as formigas, com certeza, continuariam a aparecer.  Esta tradição quebrou-se quando as regras da cerimónia impuseram que a noiva não tirasse a aliança, fosse por que motivo fosse, a aliança não poderia sair depois da cerimónia religiosa. Hoje quem guarda o Bolo do Casamento são as noivas, na intenção de consumi-lo depois, porque no momento da festa, geralmente, os noivos tem muitos afazeres, não dá tempo de comer bolo. Já guardar bolo para comer tempos depois, não é apenas uma tradição no Reino Unido e na América do Norte, aqui no nordeste brasileiro, as famílias mais bastadas também realizam este feito – pelas influencias recebidas com a colonização. Esta ideia surgiu no século XIX, numa altura em que era comum os filhos aparecerem pouco depois do casamento. Assim, um andar do bolo podia servir para o batizado do bebê! Quem é do nordeste, e gosta de seguir as tradições, pode desfrutar de uma receita de Bolo de Casamento de herança britânica pouco comum (feitos à base de massa escura, vinho, ameixas e frutas cristalizadas), e o resultado desse bolo congelado um ano depois é um sabor inigualável, com um delicioso gosto de vinho e aparentará ter sido feito recentemente. Nesse contexto eu resolvi ir pesquisar as receitas dos bolos do casamento do príncipe William. Pra minha sorte, o que na época foi um segredo de Estado, hoje está publicado nos registro oficiais britânicos, e na mídia em geral, as receitas dos bolos originais daquela cerimonia. O bolo de frutas, contudo, é único que pode ser guardado como manda a tradição; o bolo de chocolate, feito com biscoitos, exigência do príncipe, é mais delicado e por isso mesmo deve ser consumido logo. E como eu não poderia deixar de apresentar, também segue a receita do famoso bolo de casamento de Recife. Escolha o seu, teste e guarde. The Royal Wedding Fruit Cake (receita original de Fiona Cairns) 1 e 1/2 xícaras de cerejas cristalizadas 2 xícaras de passas brancas 2 xícaras de passas escuras, de preferência Thompson 1 1/4 xícaras de cascas de cítricos cristalizado 2/3 de xícara de gengibre cristalizado 1/2 xícara de ameixas secas 3 colheres de sopa de melaço 3 colheres de sopa de geleia de laranja amarga 1 colher de chá de concentrado de tamarindo raspas da casca de 1 laranja raspas da casca de 1 limão 1 colher de sopa cheia especiarias (Mistura de canela, cravo, noz moscada) 6 colheres de sopa de conhaque, mais 3 colheres de sopa para alimentar o bolo 1 xícara de nozes 1/3 xícara de amêndoas moidas 1 1/4 xícaras de farinha com fermento 1 colher de chá de sal 1 xícara mais 2 colheres de sopa de manteiga sem sal, amolecida 1 xícara mais 2 colheres de sopa de açúcar mascavo 1 1/2 xícaras de farinha de amêndoa 5 ovos grandes ligeiramente batidos Preparo: Um dia antes, lave as cerejas, seque-as bem com papel toalha e corte cada uma em metade. Coloque as passas brancas e escuras, casca de citricos, gengibre, ameixas, cerejas, melado, as geleias, o concentrado tamarindo, as especiarias em uma tigela grande. Despeje em 6 colheres de sopa de conhaque, mexa bem, cubra com filme plástico e deixe descansar durante a noite. No dia seguinte, aqueça o forno a 275 graus. Unte com manteiga uma assadeira 9 polegadas assadeira e forre o fundo e as laterais com papel manteiga. Espalhe as nozes em uma outra assadeira. Asse por 10 minutos no forno, agitando uma vez. Deixe esfriar um pouco, pique grosseiramente e reserve.Junte as farinhas e o sal numa tigela e misture bem. Na batedeira em velocidade alta, bata a manteiga e o açúcar por pelo menos 5 minutos até que fique claro e fofo. Adicione as amêndoas moídas, em seguida, muito gradualmente, os ovos, misturando bem entre cada adição. Com uma colher de pau junte as farinhas misturadas com o sal, em seguida, as frutas embebidas e as nozes. Espalhe a massa na assadeira. Asse em por cerca de 2 e 1/2horas. Se um palito de madeira inserido no centro sair limpo, está pronto. Se dourar demais antes de estar totalmente cozido, faça um círculo de papel alumínio um pouco maior do que o bolo, fure um buraco no centro para abri-lo, em seguida, coloque-o sobre a assadeira. Depois de frio espete todo ele com um palito ou com um garfo e umidifique com o conhaque. Retire da assadeira, descarte o papel. Embrulhe em papel um novo papel manteiga em seguida, numa folha de alumínio e deixe descansar por uma semana ou até três meses. Se quiser uma suculência extra, desembrulhe e regue com 1 colher de sopa de conhaque a mais a cada duas semanas. The Royal Wedding Cake (Chocolate Biscuit Cake) 115g de chocolateescuro 115g de açúcar granulado 115g de manteiga sem sal (amolecida ) Um ovo. 230g de biscoitos para chá McVitie's (aqueles das latinhas também ficam ótimos, ou pode usar o maisena) ½ colher de chá de manteiga para untar 260g de chocolate escuro para cobertura Preparo: Unte levemente um aro para tortas de 6 polegadas por 2 ½ polegadas e coloque em uma bandeja com uma folha de papel manteiga por baixo. Quebre cada um dos biscoitos em pedaços do tamanho de uma amêndoa com a mão e reserve. Bata a manteiga e o açúcar em uma tigela até que a mistura começar a clarear. Derreta as 115g de chocolate e adicione à mistura de manteiga, mexendo bem. Adicione o ovo nesta mistura e bata bem. Juntar os biscoitos neste creme até que todos estejam revestidos com a mistura do chocolate. Coloque a mistura dentro do aro já preparado – Tente encher todas as aberturas da parte inferior do aro; leve o bolo à geladeira por pelo menos três horas. Retire o bolo da geladeira e deixe repousar enquanto você derrete as 260g de chocolate. Retire o aro do bolo e vire de cabeça para baixo em prato, retire o papel manteiga, despeje o chocolate derretido sobre o bolo e alise a superfície e as laterais com uma espátula. Deixe o chocolate escorrer e tomar formar  e endurecer. Cuidadosamente usar uma faça para retirar o excesso de chocolate nas laterais, e se quiser, voltar a derreter o excesso para decorar Bolo de Noiva de Recife

Ingredientes

  • 500 g de farinha de trigo
  • 500 g de açúcar mascavo
  • 500 g de manteiga ou margarina
  • 1/2 xícara de vinho tinto
  • 1 colher (sopa) de conhaque
  • 1 colher (sopa) de raspas de limão
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó
  • 300 g de ameixas bem picadas
  • 300 g de frutas cristalizadas picadas
  • 200 g de passas brancas
  • 200 g de passas pretas
  • 1/2 xícara de nozes picadas
  • 8 ovos
  • 1 pitada de cravo triturado e peneirado
  • Noz-moscada e canela em pó a gosto
  • Glacê mole
  • 2 xícaras de açúcar de confeiteiro
  • 3 claras
  • Glacê duro
  • 8c de açúcar de confeiteiro
  • 2 colheres (sopa) de suco de limão
  • 4 claras

Modo de Preparo

Postado por S.A.R. Ewerton Reubens Coelho Costa – Arquiduque de Chantilly; Duque de Cognac; Conde de Stroganov; Barão de Gourmandise e Grão-Mestre desta Confraria às 21:03 Nenhum comentário:

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Marcadores: Bolos, Datas Comemorativas, Receitas Elizabetanas, Sabores da Tradição

domingo, 2 de junho de 2013

Sabores da Tradição – Entrevista com o Chef Lucas Nalesso Liberatore

Caros Confrades, como estão? Espero que bem. Eu, ainda ando me recuperando de outra crise renal, mas como sempre produzindo.

Hoje tenho a grata satisfação de apresentar outras entrevistas interessantes para o nosso cantinho Sabores da Tradição.

O entrevistado de hoje é um jovem chef o qual temos muito em comum: desde a estreia muito cedo no mundo gastronômico, passando pelo fascínio pela gastronomia, formação em hotelaria e outras particularidades que vocês ficarão conhecendo com o texto a seguir.

Eu acredito piamente no poder de transformação que o mundo gastronômico pode fazer na vida de uma pessoa. E o mais interessante é poder encontrar relatos deste fato. Ao longo de meus estudos, de minhas pesquisas envolvendo o mundo gastronômico – sobretudo pelo turismo/hotelaria – , é de suma importância considerar que existe sim uma explosão  midiática da atualidade no que tange ao estudo dos alimentos e bebidas, mas o que  mais  me agrada é saber que  existe por trás disso tudo a força e o interesse de jovens por uma área que até bem pouco tempo era esquecida, pouco valorizada – principalmente quanto ás questões culturais.

Ao ler a entrevista que segue se percebe o quão importante é a dedicação, o interesse e a doação de uma pessoa para com a gastronomia. A diferença em estar chef é uma responsabilidade alta, mas que só se sustenta com a virtude da criatividade, do uso da imaginação, da atenção.

Bom, vocês agora vão poder conhecer um pouco mais do Chef Lucas Nalesso Liberatore, responsável por uma das mais conceituadas padarias de Fortaleza-CE. Recomendo testar a receita que eles nos apresentou – vale á pena – , e eu, vou  já pensar numa forma de conseguir uma horinha a mais no  meu dia par atentar convencer o chef a me permitir ser um observador/aprendiz de suas suas guloseimas de açúcar – Quem sabe eu tenho sorte!

A descontração do Chef Liberatore

Barão de Gourmandise (BG).  Para os que não lhe conhecem, poderia dizer quem é você? (apresentar-se contando sua procedência, um mini currículo e como entro  em contato com o mundo gastronômico e suas especialidades)

Chef Lucas Liberatone (CLL) – Sou Lucas Nalesso Liberatore, nascido em são Paulo, tenho 27 anos, sou formado em hotelaria no SENAC de Águas de São Pedro. Hoje moro em Fortaleza e foi mais ou menos assim que eu vim parar aqui … Quando eu tinha 16 anos a única coisa que eu sabia da minha vida era que meu bisavô por parte de mãe tinha sido um ótimo cozinheiro na Espanha, e que meu avô por parte de pai era um perito em fazer macarrão, e nesse tempo eu só fazia alguns bolos e tocava rock e gostava de sempre receber pessoas na minha casa, foi ai que decidi fazer hotelaria pois observei que seria um curso bom para decidir o que eu queria, pois passamos por todos os setores do hotel , foi ai bem ai que a escolha foi feita, quando passei alguns dias na cozinha, eu tinha percebido algo novo, alguma coisa viva diferente, era muito interessante ver a concentração das pessoas diante de comida, ainda eu não entendia muito isso, mais fiquei muito impressionado. Então decidi no meio da faculdade que seria isso que queria Cozinha, mais com 18 anos logo vi que teria que correr o dobro, pois as pessoas que faziam gastronomia tinham mais foco na cozinha do que eu. Então fui logo atrás de estágios e meu primeiro estágio foi em Ubatuba em um hotel chamado Costa Verde Tabatinga – muito bom lá, trabalhei de gardmanger fazia entradas e saladas e foi nesse momento que conheci a primeira pessoa a quem agradeço muito todos os dias da minha vida um rapaz chamado Gaston Gomez, que era Chef patissier Argentino que era muito bom , muito concentrado e perfeccionista ,mostrou para mim que a confeitaria era um trabalho muito especial , muito dedicado , e  aprendi muita coisa com ele e uso-as ate hoje, passei todas as ferias trabalhando nesse hotel, ficava feliz quando chegava essa época, Então acabou a faculdade, e logo no dia seguinte já estava empregado em um restaurante em São Paulo chamado Lorenzo Via Goumand que ficava na rua Mario Ferraz, uma rua com vários restaurantes conceituados de São Paulo –  lá eu entrava as 7 da manha e sai a hora que o ultimo cliente  fosse embora , era tudo a la carte. No começo fazia de tudo, lavava pratos, panelas, o chão, ajudava sempre que necessário, e percebi que se todo dia eu fosse melhor que o outro eu ia crescer rápido , e demorou uns 3 meses e eu já estava fazendo as entradas, um jovem rapaz faltou e eu sabia como trabalhar no setor e pedi permissão ao chef e foi concedido , e depois de 6 meses logo vi que o confeiteiro não ficava ate o fim do dia e quem montava as sobremesas eram os próprios cozinheiros. Então resolvia ficar atá o final para montar as sobremesas, e  acabei conhecendo a segunda pessoa muito especial chef Nilson Quirino trabalhou no Fasano, Gero, Parigi e La Tambouille, ele era fera! Um cara que falava pra eu encarar que tinha jeito, que nessa profissão tinha que ter uma coisa que e muito importante, PACIENCIA, tudo tem sua hora , só basta trabalhar com amor e dedicação e acreditar em você, e ai foi , sai de lá com toda a forca do mundo passei por um flat da rede Clarion, um restaurante que se chamava Cayenna , foi rápido mas lá eu era cozinheiro  e logo fui chamado por um amigo  para ir para um bistrô que era em São Paulo, alto de pinheiros, se chamava Le Parisien, ali foi a experiência mais difícil para mim, aonde meu crescimento foi algo muito significativo, entrei como cozinheiro  e éramos em 7 na cozinha , depois de 3 meses éramos em 3 , e eu tive que assumir, o chef dono me chamou , ele era francês e as pessoas não aceitam algumas coisas , eu estava lá para absorver tudo que eu podia, não me importava com broncas e puxões de orelha, era hora de aprender. Então ele me perguntou se eu topava refazer a equipe com ele, e foi ai que eu dei a cartada final pra entrar nesse mundo ! Aceitei com todo o prazer, passamos ótimos momentos, serviços perfeitos. Eu tinha entendido , tinha que ralar mesmo para chegar alguma coisa!!!Mas como mexia muito com as sobremesas e estava sempre servindo elas, resolvi de forma insana e sem pensar 2 vezes , que eu iria começar tudo de novo e virar confeiteiro. O telefone tocou e era de uma confeitaria que se chamava Patisserie Douce France, eu nem imagina o que era, aonde era e como era , e quem era o chef , eu queria a oportunidade , e marquei a entrevista. Cheguei para a entrevista e de repente saindo de uma porta, vem um homem alto, cabelo penteado, com a dolma branquinha , sentou-se e me olhou nos olhos e disse : menino, eu sou bravo eu cobro muito, mas o aprendizado é grande . Bom nem pense , na verdade nem entendi muita coisa , porque ele era francês e o sotaque era muito forte, bom eu não sabia mais eu tinha acabado de conhece a pessoa que me mostrou que fazer patisserie e ser um patissier era muito mais do que todo mundo imagina… Chef Fabrice Lenud, ele finalizou a entrevista pedindo pra eu chegar para trabalhar as 4 da manha . Cheguei era auxiliar de confeitaria, fazia o básico, o chef era muito rígido, e todos o respeitavam muito, a hierarquia era respeitada religiosamente, na cozinha o chef chegada bem cedo juntos com os funcionários, só se ouvia o barulho dos tamancos correndo, sim chef e não chef, e todos os dias a musica ambiente eram as Óperas. A concentração era grande em 5 anos que passei por la , passei por muitos momentos de aprendizado, o respeito por tudo dentro e fora da cozinha, a força de vontade, a garra, nunca desisti, e o mais importante é que o detalhe faz a diferença. Conquistei em 1 ano minha promoção fui para confeiteiro, aproveitava todas as oportunidades, sempre muito dedicado, foi ai que conheci a pessoa mais importante da minha vida , ele era o sub chef , hoje dono de uma pâtisserie Tartellier o chef Thiago Emidio, éramos uma dupla , sempre um apoiando o outro , era muito complicado os horários , os trabalhos , os eventos, parecia uma outra vida, abdicamos de nossas vidas por uma profissão e não por um trabalho, era muito intenso, queria mais, passados 3 anos subi ate virar o sub chef , nesse meio tempo eu e o Thiago conhecemos Carlos e Marcio Petrone, eles fizeram uma proposta pra o Thiago e ele veio parar aqui em Fortaleza , após 1 mês Thiago me ligou e estava saindo da Douce France , pois queria mais , ai ele me fez o convite de vir para Fortaleza e eu topei !! Chegando aqui conheci uma família maravilhosa que me deu e me da todo o suporte para tudo que eu preciso a família Petrone, proprietária da padaria Monte Carlo.

A presença importante da família e dos amigos

BG.  Atualmente, como pesquisador de cultura gastronômica – principalmente no seu impacto para atividade turística, eu tenho percebido um crescimento no interesse de estudiosos e mesmo da população na gastronomia. Você também percebe este desenvolvimento na sua prática? Revele para nós o que mais te encanta na gastronomia, e de que forma este encantamento tem domínio sobre você?

CLL- Antigamente e não falo de muitos anos atrás, era muito difícil de ver o que acontecia do outro lado do balcão, e agora com as redes sociais e também a televisão vem trazendo esse mundo de dentro das cozinhas, mostrando como a grande alquimia da cozinha funciona, farinha, água, sal, manteiga, ingredientes que em uma combinação exata se transformam em coisas maravilhosas e com isso começa a existir um interesse por parte de muitas pessoas, e realmente esse é o grande fascínio da gastronomia, essa química, isso é apaixonante , viciante , separar uma receita , misturar , bater , cozinhar , esfriar , gelificar , isso é prazeroso demais , é bonito demais .ainda mais com o aumento de novos ingredientes sendo descobertos , o uso diferenciado deles no mundo gastronômico, isso é fruto de muita pesquisa de gente muito determinada e interessada , novos tipos de técnicas cada dia se descobre e se redescobre alguma coisa nova .E é isso que as pessoas começam a querer buscar , porque hoje mais do que nunca todos  estão querendo sempre receber amigos e familiares em casa ,alguma confraternização, festa  e nessa nova fase , todos querem cozinhar na sua própria cozinha e não pedir comida pronta, e para isso é necessário conhecimento e treino , por isso o interesse tão grande nesse mundo !!!

BG.  Consideremos o fato de que a questão cultural pode influenciar diretamente o consumo de gastronomia numa sociedade. Levando isso em conta como você definiria  a realidade gastronômica de Fortaleza hoje ?

CLL- Fortaleza hoje tem uma realidade gastronômica bem interessante, onde as pessoas estão tendo contato com produtos diferentes e técnicas de chefs que estão chegando de todos os lados, e isso é muito boa para todos nós, a gastronomia regional vem sendo temperada com toques diferenciados de técnicas francesas, ou até cocções inovadoras. Hoje vemos a nossa tradicional carne de sol sendo preparada de diversas maneiras, os nossos peixes, as nossas frutas. A vinda de chef diferentes para Fortaleza, juntamente com os chef locais que conhecem muito bem o terreno, criou uma cena muito boa para a cidade, ainda mais em tempos de que vamos receber grandes eventos, e precisamos estar preparados para servir com maestria, e mostrar a cara de Fortaleza , mostra que a cidade tem uma gastronomia impar .

BG.   Você desenvolve um trabalho primoroso numa das melhores padarias de Fortaleza. As padarias se desenvolveram muito ao longo dos tempos, deixaram de ser lugares simples onde se vendia apenas pão e leite para se tornar vitrines de guloseimas onde se pode encontrar de um tudo.  Diga-me, o fator criatividade é importante no seu trabalho? Você consegue identificar o novo papel de uma padaria na sociedade? O que a Padaria Monte Carlo representa pra você? É importante dominar técnicas especializadas para atrais o consumo?

CLL- As pessoas hoje em dia, estão cada vez mais sem tempo e estão sempre querendo compactar as tarefas diárias, para poder aproveitar mais a parte familiar ou ate programas sociais e com isso as padarias vêm trazendo esse conforto, aonde cada vez mais o produto tem que ter excelência, a gama de produtos é enorme, então o uso de diferentes técnicas é de prima importância.

Como venho de uma pâtisserie a mudança de estilo de trabalho é bem complicado, venho aplicando procedimentos que trago dessa área, por isso que a Monte Carlo esta marcando minha vida, pois agora posso aplicar meu conhecimento em um empreendimento macro, e está dando certo até  porque é um trabalho que envolvem muitas pessoas que trabalham com muita seriedade, pessoas de caráter, como o caso da família que é dona do empreendimento , pessoas que se estudam o que fazem , cada dia querendo fazer o melhor , e por isso os treinamentos são mais constantes do que nunca, sempre visando estar na frente.

As Tartes de Morango que o Chef produz na Monte Carlo

BG. Gastronomia é entrega. A visão glamorosa do chef de cozinha que a maioria das pessoas tem acaba sendo diferente de uma realidade onde o trabalho e a dedicação a ele é a mola mestre de um grande chef. Considerando isso, conte um pouco sobre a sua rotina, seu processo de trabalho.

CLL- Realmente a visão que todos tem de ser um chef de cozinha é bem errônea, a rotina até se tornar um profissional capaz é bem penosa, e requisita muita abdicação , não passo um natal com a minha família desde os 17 anos. Hoje acordo as 5 e meia já pensando no que vou fazer, como vou começar,  chego as 7 no trabalho, temos uma reunião de 5 minutos, aonde tudo o que aconteceu no dia passado ou o que vai acontecer é colocado em pauta ,em seguida faço as listas de produções onde cada praça tem a sua, no desenrolar do dia são feitas diversas atividades, como acompanhamentos, teste de receitas, produção, reuniões, treinamentos, o dia acaba geralmente as 5 ou as 6, mas em datas festivas, chego a trabalhar 48 horas e até mesmo depois de um dia normal, quando chega em casa não para, a gastronomia mental continua .

BG.  Nos últimos anos temos visto os grandes chefes internacionais transformando ingredientes genuinamente brasileiros em obras de arte da gastronomia. De fato nosso país continental possui uma diversidade de produtos que permite a criação de devaneios culinários. Mesmo assim, o Brasil ainda precisa explorar mais os ingredientes especiais e exóticos que tem para mostrar uma gastronomia mais brasileira. Diga-me, você desenvolve receitas com produtos regionalistas? Tem uma preocupação cultural com o seu trabalho, no sentido de dar características locais a sua produção? (se sim, de exemplos do que você utiliza e o resultado disso)

CLL- Certamente que é muito importante o conhecimento sobre produtos regionais, até porque com o uso de técnicas diferentes podemos criar situações diferentes, eu no meu dia-a-dia, faço o macarron de tapioca, aonde tem a mistura da técnica francesa com o produto brasileiro criando uma mistura muito interessante, também colocamos em linha bolos de batata doce, macaxeira, rapadura, coisas nossas. Fazendo assim as pessoas darem mais valor aos produtos da região.

BG.  No século XIX, Antoine Caréme foi o grande mestre da confeitaria e o preferido de todos os Reis Europeus. Ele ornamentava os seus banquetes com fantásticas obras de arquitetura em pasta de açúcar. Editou em 1815 o livro “Le Pâtissier Royal Parisien”. Em 1894, Ernest Schulbe mostrou os seus trabalhos de flores em açúcar em Londres. Editou também um livro “Advanced Piping and Modelling” com receitas e utensílios, muitos feitos em osso, mas em tudo semelhantes aos utilizados nos dias de hoje, para modelar e marcar flores. A evolução da confeitaria sempre trouxe maravilhas em produtos e utensílios para a cozinha. Considerando que eu sempre vejo algumas postagens suas no facebook, ou quando vou á Monte Carllo para comer alguma coisinha, vejo sempre muitos doces – porque eu sou formiga. Assim, eu gostaria de saber qual a importância dessa inovação na confecção de sua confeitaria? Você faz estudos para saber o que a clientela acha do que você produz? Você consegue identificar um possível  refinamento no paladar de seus consumidores – e como voce lida com isso?

CLL- Antoine Caréme foi realmente um marco na história, o chef dos reis, todos os queriam, pois ele era diferente, ele fazia diferença, ele fazia despertar nas pessoas um sentimento que elas nunca tinham sentido por comida, todos tinham prazer de comer, mas quando Careme fazia era diferente, era uma surpresa atrás da outra, além de ser o chef que colocou a massa folhada no patamar dela, e é isso que eu tento trazer dele para mim, fazer sempre de um modo que seja diferente, utilizando técnicas minimalistas, com o detalhe sendo o diferencial, muitas cores, texturas, cada parte do procedimento muito bem executado para que o resultado final seja perfeito, utilizando sempre materiais novos, para se aplicar de maneiras diferentes. Sempre que um cliente me para na loja para conversar ele sempre me fala que o detalhe dos doces é muito bem feito, cada gotinha de merengue, cada pedacinho de fruta, as tartes sempre bem feitas, os croisants bem douradinhos, que parece que tem muito carinho na vitrine e realmente tem é uma entrega total para desenvolver sempre o que há de melhor.

BG.  Desde o Séc. XX bolos decorados começaram a ser cada vez mais acessíveis nas padarias e confeitarias do mundo inteiro. Contudo ainda existe um preconceito que recai sobre “o bolo de padaria”. Como você analisaria essa questão?

CLL- O bolo de padaria acabou sendo esquecido por conta das inovações e da procura de doces mais refinados. Mas não podemos nos esquecer desta maneira de um produto por muito tempo e até hoje é muito procurado. O que nos estamos fazendo é trazer de volta o bolo de padaria, só que com um conceito diferente, um bolo mais estruturado, com menos glace ou cobertura exagerada e com mais sabor. Pois esse é o preconceito com bolo de padaria, um bolo cheio de coisa e sem sabor marcante, apenas doce, muito doce. Entáo fez com que as pessoas procurassem produtos mais focados .

BG. Diz o ditado: “Casa de ferreiro, espeto de pau”. Você costuma preparar algo em casa, ou é do tipo que não quer nem saber de cozinha quando chega do trabalho? O que você não gosta de preparar e por quê?

CLL- No meu caso esse ditado não se encaixa (risos). Sou casado com uma mulher maravilhosa e todos os dias tenho o prazer de preparar nossa janta. Além de ser um momento em que ficamos juntos. Gosto muito de preparar comidas diferentes, comida árabe, comida mexicana, tradicional italiana e não tem nada que eu não goste de preparar. Pois cada dia faço testes com produtos e ingredientes que nunca usei, tento sempre fazer algo diferente todo dia, até para não ficar na mesmice. Além de receber amigos em casa e preparar jantares, realmente não saio da cozinha .

BG.    Considerando seu trabalho e sua memória gustativa, diga-nos qual o sabor da sua tradição. (descrever aqui um ou mais pratos que sempre estão presentes na sua vida – e que tem um valor sentimental ao ponto de já ter  virado uma tradição  na sua mesa)

CLL- Como sou metade de família italiana e metade de família espanhola, as nossas mesas sempre foram regadas de muita comida boa e bebidas espetaculares, mas tenho 2 pratos que sempre me acompanham em todos os lugares , bom por parte de familia italiana , todos os domingos íamos na casa de meu avo Cezar Liberatore , pai do meu pai, e lá chegávamos cedo e lá estava ele preparando o macarrão do modo tradicional italiano, o sótão improvisado parecia um laboratório do vovô, o molho apurando, desde as 6 da manha, o pão italiano fermentando pronto para entra no forno e logo virar dúzias de bruschettas, quando a mesa estava posta parecia sempre a santa ceia , comida farta, mas levo comigo a tradicional bruschetta, um bom pão e um recheio simples e bem feito . Já por parte de mãe, parte que cozinha muito bem, tenho um prato que toda vez que volto a São Paulo minha mãe tem que fazer (risos), o famoso puchero , é realmente incrível como posso sentir o gosto, e lembrar cada tempero que minha mama religiosamente coloca no prato, uma explosão de sabores – e comida de mãe não tem jeito é realmente imbatível.

BG.  A gastronomia sempre precisa de dois elementos básicos para funcionar: uma pessoa que prepare uma refeição e outra que a deguste. Soma-se à isso ingredientes, técnicas, utensílios e outras coisas para o desenvolvimento da produção culinária. Sabendo disso, para quem e o que você gostaria de fazer uma preparação ( qual o formato e qual a ocasião)?

CLL- Bom depois de tanto tempo longe de casa e de passar todas as datas festivas longe deles, o meu grande sonho era fazer uma grande ceia de natal, para toda a minha família, gostaria de servir as pessoas que me serviram a vida toda, as pessoas que sempre batalharam para eu ter estudo e me moldaram para uma sociedade aonde ser educado é primordial e não custa nada, seria um grande momento, pois hoje em dia cozinho para todos os tipos de pessoas e todos os tipos de eventos. Lógico que é muito prazeroso, mas para minha família teria um gosto especial, um sabor de missão cumprida, ver todos eles felizes na mesa, comendo o que eu faço de melhor. Tudo isso misturado com muito amor de verdade, seria um grande momento…

BG.    Aperitivo: (cite aqui qualquer informação adicional que você deseja incluir na entrevista)

CLL- Gostaria para finalizar deixar uma mensagem para aqueles que pensam em entrar nesse mundo gastronômico. Primeiramente tenha muita humildade, pois com ela todos nos vamos longe, realmente abre portas. Muita vontade de trabalhar e de aprender. Pois o aprendizado é muito grande, mas precisa correr atrás, tenha justa dedicação em tudo que faça, pois sempre vai fazer a diferença, nunca espere as coisas caírem em cima do seu colo, em uma cozinha as coisas acontecem de maneira muito rápida então esteja sempre focado, concentrado e não pensando em festa, ou ate em coisas que não tenham a ver com o ambiente de trabalho .Cozinha é para que quer uma profissão e não um emprego, tem que ser feito com amor, pois se não a mascara cai , então muito amor , paixão e dedicação .

CLL-.    MEU SABOR DA TRADIÇAO

Trio de Bruscchettas

3 fatias de pão italiano da largura de 1 dedo

1 dente de alho

Azeite de oliva

100gr gorgonzola

30gr parmesão

3 cogumelos shitake

1 tomate

1 mozzarella de búfala

Manjericão

Tomilho

cebolinha

Sal e pimenta moídos na hora

Preparo: Ligar o forno a 180 graus, passar o dente de alho nos paes e um pouco de azeite , colocar no forno em uma assadeira  por 5 min , reserve . para o recheio de queijo , quebre o gorgonzola e misture com o tomilho e um pouco de azeite, coloque em cima da fatia de pão e reserve , para o recheio de shitake ,fatie os cogumelos em fatias fina , em uma frigideira bem quente passe um fio de azeite e coloque as fatias de shitake , um pouco de sal e cebolinha , desligue assim que o shitake amolecer , coloque em cima do pão e reserve , para o recheio de tomates , corte o tomate em 4 , tire as sementes , corte em cubinhos pequenos , misture com os cubinhos de mozzarella de búfala , algumas folhas de manjericão , um fio  de azeite e pronto , coloque em cima da fatia de pão , coloque todas no forno por mais 5 min , agora esta prontinho para servir , espero que gostem , e que possam lembrar das melhores épocas de suas vidas , comendo boa comida !

Postado por S.A.R. Ewerton Reubens Coelho Costa – Arquiduque de Chantilly; Duque de Cognac; Conde de Stroganov; Barão de Gourmandise e Grão-Mestre desta Confraria às 13:20 3 comentários:

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Marcadores: Sabores da Tradição, Salgado

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sabores da Tradição: Entrevista com o Prof. Dr. Luiz Gonzaga Godoi Trigo

Hoje esta Confraria apresentará uma entrevista quentinha, recém-saída do forno, para dar continuidade ao Projeto Sabores da Tradição – que visa explorar os pensamentos dos entrevistados sobre a cultura gastronômica.

È sempre bom poder contar com a sensibilidade dos entrevistados que nos permitem invadir o seu dia-a-dia, nos dedicam um pouco do seu precioso tempo, e nos permitem comungar com seu pensamento. Desde já agradeço a todas as pessoas que foram (e estão sendo) por mim solicitadas. E que prontamente atenderam com carinho ao meu chamado. Em nome da cultura gastronômica, meu muito Obrigado!

Devo confessar que a ideia de entrevistar o convidado de hoje já vem desde que o Projeto Sabores da Tradição foi pensado, e posso explicar: No primeiro semestre do ano de 2009, ano em que eu cursava minha segunda graduação em turismo, e já dava treinamentos e e consultorias na área, publiquei um artigo em um periódico sobre turismo cultural da Escola de Comunicação e Artes –  ECA/USP, intitulado "Mistura do dia: A gastronomia e sua contribuição para o turismo” (Clique aqui para ler), onde tratei sobre a presença do turismo gastronômico como uma realidade que promove: o crescimento e o desenvolvimento dos destinos turísticos; e o resgate da questão cultural da alimentação – evidenciando a diversidade e a criatividade gastronômica. Fato que acaba atraindo aquele tipo de turista que tem a motivação para viajar pelo prazer de degustar e se deleitar com comidas e bebidas.

Foi lembrando esse artigo e pensando nos profissionais da ECA/UPS que me veio o nome do nosso entrevistado de hoje: Luiz Gonzaga Godoi Trigo, pesquisador e professor titular da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP – EACH, conhecido por seus muitos escritos sobre a turismologia e seus afins.

Prof. Dr. Luiz Gonzaga Godoi Trigo

Expoente nos escritos sobre o turismo no Brasil, o Prof. Trigo além de dividir seu tempo entre pesquisas, seus alunos e seus livros, ainda mantem um blog, Global Paths (Veja aqui) que nos deixa sempre atualizados sobres suas atividades pelo Brasil, ou pelo mundo, divagando sobre as mais variadas ideias – com sinceridade e umas boas  pitadas de ironia e bom-humor.

Minhas primeiras interações com o entrevistado se deu a partir do ano 2000, quando eu cursava o bacharelado em turismo e tive a oportunidade de conhecer o pensamento de Luiz Trigo a partir de seus livros sobre a atividade turística- dentre os quais posso destacar entre suas obras que mais me agradaram:  "Turismo – Como Aprender Como Ensinar (VOL 1) – (Editora SENAC- SP)"; "Turismo e Civilização (Contexto Editora)" e "Análises Regionais e Globais do Turismo Brasileiro (Editora Roca)".

Prof. Trigo com outros dois "pesos-pesados" do turismo no Brasil: Mèrio Beni e Alexandre Panosso

Acompanho o blog do nosso entrevistado já a algum tempo, através dele pude  perceber uma certa afinidade com a gastronomia e enologia. E este foi o motivo fundamental para o convite. Professor Trigo, meu agradecimento especial por sua generosa participação, obrigado. Agora,vamos ao que interessa:

Barão de Gourmandise (BG) – Para aqueles que não lhe conhecem, poderia apresentar-se e dizer quem é você?

Luiz Gonzaga Godoi Trigo (LGGT) – Sou uma pessoa sociável, bem humorado. Odeio extremismos e fanatismos ou dogmas. Gosto de cinema, viagens, literatura e gastronomia.  Não gosto muito de ficar em turma, prefiro reuniões mais restritas, onde se possa conversar em calma. Sou professor titular da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Graduei-me em turismo e em filosofia na PUC-Campinas (1988), fiz mestrado (PUC-Campinas, 1991) e doutorado (Unicamp, 1996), livre docência (ECA-USP, 2003). Fui professor da PUC-Campinas por vinte anos (1988- 2007), diretor e assessor de turismo e hotelaria do Senac-SP (1995-2004), diretor de turismo e assessor da prefeitura de Campinas (1989-1992). Gosto de escrever. Tenho uns 17 livros publicados e muitos capítulos de livros e artigos em periódicos, no Brasil e no exterior.

BG – Gosto de ler seu blog, Global Paths (http://luiztrigo.blogspot.com.br/ ) , devido as mais variadas abordagens sobre o turismo e suas atividades afins que se pode encontrar por lá. Durante a leitura já tive oportunidade de ver algumas fotos onde nos mostra um pouco da gastronomia e enologia de alguns lugares por onde esteve… Tais fotos também estão presentes na sua página do facebook. Assim, gostaria de saber até onde vai o seu interesse pela gastronomia e pela enologia; se você tem dotes culinários; ou, se aquelas fotos estão apenas para lhe denunciar como um “bom de garfo e de copo”?

LGGT – Sou “bom de garfo e de copo”, além de gostar da chamada etno-gastronomia, ou a gastronomia analisada nos seus contextos históricos e culturais. Não sei cozinhar e não aprenderei. Gosto de comer e degustar as delícias do mundo, mas maneirando. Acabo de eliminar dez quilos e mudei meus hábitos alimentares, para consumir apenas produtos saudáveis.

Prof. Trigo mostrando  no seu blog suas mudanças alimentares. Fonte:  Global Pahts

BG – As fotos citadas na pergunta anterior, geralmente foram postadas em lugares diferentes – fato que podemos conferir pelas legendas das imagens, ou pelo texto que as acompanha. Levando em consideração o contexto das imagens, e você enquanto turista: qual a importância da gastronomia para o turismo, pela sua ótica?

LGGT – Gastronomia é a parte mais essencial e atávica de uma cultura bem constituída. Pela comida podemos melhor entender as nuances e complexidades de um povo, de uma região, até mesmo de uma religião. Um lugar que nos oferece uma refeição memorável, simples ou sofisticada, desde que bem feita, fica para sempre em nossa história. Gastronomia é fundamental para o turismo, para a hospitalidade em geral e para a nossa vida como um todo.

BG – Ansarah& Nunes, em seu artigo ‘Hospitalidade nos serviços de alimentação como diferencial na prestação de serviços, apresentado no VII Encontro dos Núcleos de Pesquisa em Comunicação – NP Comunicação, Turismo e Hospitalidade. Santos, 2007’, afirmam: “Por existir uma grande variedade de culturas, a comida brasileira esta se tornando um novo atrativo turístico para diversas cidades”. Você concorda com esta afirmação? Como você enxerga o cenário do turismo gastronômico brasileiro?  E quais suas previsões para ele?

LGGT – A questão não é apenas a diversidade cultural, apesar de essa ser importante. O que possiblitou o avanço foi também a abertura econômica do Brasil, desde o malfadado governo Collor (que teve esse aspecto positivo, pelo menos) que possibilitou a importação de vários ingredientes que antes aqui eram raros, inexistentes ou muito caros. Ao lado dos novos ingredientes (bebidas, especiarias, enlatados, sucos, produtos industrializados em geral, matérias primas in natura) surgiram as redes de fast food que trouxeram a concepção de sistemas de gestão e de fichas técnicas. Uma ficha técnica é um composto de receita, procedimentos e modo de fazer, ou seja, garante a reprodutibilidade do prato e um controle mais preciso de gastos (ingredientes, insumos, equipamentos, processos). Tudo isso, aliado à criatividade e diversidade da gastronomia brasileira, em suas diversas regiões, está possibilitando um avanço quantitativo e qualitativo de nossas receitas e cardápios..

BG – A preservação da cultura, da memória e da história leva as nações a criar instituições para salvaguardar nosso patrimônio material e imaterial – neste pode-se incluir alguns “bens gastronômicos”. E se observarmos alguns bens do patrimônio mundial, validados pela UNESCO, podemos encontrar na lista de bens imateriais: a dieta mediterrânea; a gastronomia francesa, a cozinha tradicional mexicana e o pão de mel e especiarias croata. No Brasil, tendo o IPHAN como responsável pela validação dos bens do patrimônio nacional o oficia da baiana de acarajé, atualmente, se configura como o bem do patrimônio imaterial nacional diretamente ligado á gastronomia. Bens tombados como patrimônio nacional/ internacional podem trazer mais força para a atividade turística? De que forma?

LGGT – A gastronomia é ligada à cultura e aos estilos de vida dos povos. Se essa cultura é mantida, seja pelas concepções do slow food ou das diretrizes da Unesco, seja pelos rankings nacionais (4 Rodas, por exemplo) ou pelos rankings internacionais, os ganhos são dos produtos, do distribuidor e do consumidor. A cadeia produtiva da alimentação em geral, e da gastronomia em particular, se beneficia de uma qualidade crescente e de uma maior diversidade, fruto das trocas intra-regionais e internacionais. Preservar e divulgar esse patrimônio é fundamental. Lembro o trabalho realizado elo Senac Nacional, que publicou vários livros sobre culinárias regionais e a editora Senac São Paulo que publicou mais de 150 títulos sobre alimentos e bebidas.

BG – No Brasil a região sul é a responsável pela maioria das rotas enoturísticas & gastronômicas. O clima, a geografia e a presença das colônias de imigração europeias são os únicos fatores para se explicar este fato?

LGGT – Não apenas o clima e a geografia.  O sul e o sudeste são as áreas mais ricas do Brasil, portanto possuem maior infraestrutura e consumidores mais exigentes e capazes de comparar a qualidade local com a qualidade internacional e isso é um ganho considerável na capacidade de crítica e escolha por parte do consumidor.  Porém o nordeste, especialmente, possui uma riqueza incomparável de ingredientes, métodos e criatividade gastronômica. Boa parte dos chefes do sudeste provém do nordeste. Estados como Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Ceará e outros possuem gastronomias excelentes e altamente qualificadas. A diferença é que o sul/sudeste possui mais infraestrutura, um mercado consumidor mais rico e são mais influentes nas escolhas dos produtos e serviços nacionais. Porém o nordeste brasileiro já é, há anos, um grande referencial gastronômico e de hospitalidade, nada devendo às outras regiões. A Amazônia e o centro-oeste possuem suas variedades como peixes fluviais (há os rebanhos de búfalos na ilha de Marajó). No caso do centro-oeste, os rebanhos de gado bovino proporcionando deliciosos churrascos e preparados à base de carnes. .

BG – Considerando que as demais regiões brasileiras possuem singularidades gastronômicas, as quais se supõem que pela diversidade, e até pela exoticidade, já tem porte para movimentar novas rotas turístico-gastronômicas, o que falta para que isso ocorra?

LGGT – Falta maior profissionalismo, mais infraestrutura e divulgação. Cada capital brasileira possui restaurantes memoráveis e produtos específicos que agradam aos diversos paladares. Teresina, Cuiabá e São Luís, por exemplo, possuem restaurantes de alto nível e gente capacitada a processar alimentos com toda segurança e competência. Falta distribuir essas técnicas e conhecimentos para a maior parte dos empresários e profissionais, gerando qualidade e competência em todos os níveis de lanchonetes, pequenos restaurantes etc., em cada cidade.

BG – O turismo gastronômico está ligado ao prazer e à sensação de experimentar e saborear o novo… Durante as viagens podemos descobrir, além de novos horizontes, cheios de cultura e beleza, novos pratos e ingredientes exóticos. Poderia nos contar sobre suas experiências envolvendo a comida e bebida mais exótica que pode provar durante suas viagens?

LGGT – Posso citar algumas experiências memoráveis: A torta de caranguejo do Camarão do Elias, em Teresina; Os peixes fluviais de Belém, Manaus ou Cuiabá; O arroz de pequi, de Goiânia; As moquecas capixabas ou baianas; Os restaurantes fantásticos e padarias de São Paulo ou Rio de Janeiro; Os botecos de Belo Horizonte ou a comida mineira do Xapuri (Belo Horizonte), ou de Ouro Preto; Os queijos, doces e pães do interior de Minas Gerais; As ostras de Florianópolis; O churrasco e as cucas (doces) do Rio Grande do Sul; As lagostas do nordeste, em especial do Ceará; O churrasco de bode, do interior do Piauí; O picadinho de tartaruga da Amazônia; A comida mediterrânea, especialmente nas costas francesa e espanhola; Um javali com castanhas e molho de frutas vermelhas que comi no interior de Portugal; As panquecas de blueberry com mapple syrup, da América do Norte; As centollas e peixes de águas frias da Patagônia argentina ou chilena; Um churrasco que comi numa fazenda, interior da Austrália; O filé de avestruz que com ia bordo do navio Marco Pólo; A comida tailandesa à margem do rio, em Bangcoc; Um leitãozinho (lechazo) devorado com vinho tinto, numa tasca, perto de Valladolid, Espanha; Um bufê de comida árabe, no hotel Marriott, em Petra, Jordânia; Os sanduíches do Giovanetti, em Campinas, SP; O agnolotti da cantina Fellini, em Campinas, SP. Pastel com garapa (caldo de cana), nas feiras de São Paulo; Os restaurantes descolados e deliciosos de São Paulo.

O Pacu recheado – registrado pelo Prof. Trigo numa de suas idas _a Cuiabá

BG – Dizem alguns estudiosos que com as viagens nosso paladar vai se sofisticando – pelo fato de nos permitir utilizar a partir de então, novos ingredientes, esses descobertos durante as viagens. No entanto outros pesquisadores no falam sobre o poder da nossa cultura, de como ele interfere na nossa mesa. Levando tudo isso em conta: qual o sabor da sua tradição? E nele existe influência das suas viagens?

LGGT – Uma coisa não elimina a outra. Desenvolvemos nossas variedades alimentares e ao mesmo tempo valorizamos a comida que tínhamos quando crianças, em nossas casas ou cidades. Até hoje aprecio um prato de arroz com feijão, bife grelhado, batata frita e salada de alface e tomate, cardápio que minha avó materna fazia com grande esmero. E gosto de comida japonesa, tailandesa, francesa, italiana (mediterrânea, em geral), espanhola, portuguesa, norte-americana etc. O que não como mais é fast food, pois engorda e não tem nutrientes necessários.

BG – Considerando que a mesa é um lugar onde se deve partilhar as delicias gastronômicas com as pessoas que se gosta, quem e por que você convidaria para um encontro gastronômico onde juntos degustariam o sabor da sua tradição? E qual seria o destino para a realização deste evento?

LGGT – Convidaria meus amigos mais íntimos, ou meus parentes mais próximos (estamos falando de umas doze pessoas) para um café da manhã no Le pain Quotidien, em São Paulo; almoço em um rodízio de ostras em Florianópolis; ou comer uma torta de caranguejo no Camarão do Elias, em Teresina; jantar em São Paulo, no Walter Mancini.

Aperitivo:

LGGT – Se o Brasil não possui grandes tradições em cervejas (com exceção de algumas micro-cervejarias ou marcas minoritárias) ou vinhos, sua cachaça é excelente e reconhecida pelo mundo. O mesmo acontece com alguns (poucos) licores ou com o nosso café, um produto excelente e preparado com estilo próprio. São acompanhamentos solenes e deliciosos para nossos pratos. Os doces brasileiros são outro ponto forte de nossa gastronomia. Feitos, antigamente, nos conventos de freiras, herdados de Portugal e regados com a abundância do açúcar de cana de nossas terras, os doces, geléias, sucos e frutas in natura, são parte de nossa variedade e preciosidade gastronômica. Há que se lembrar também dos mercados locais e das feiras livres, onde pode-se encontrar produtos básicos ou até mesmo comidinhas deliciosas.

MEU SABOR DA TRADIÇAO

LGGT – Como não sei cozinhar, deixo uma receita simples, de bebida para ocasiões especiais:

Black Velvet

Misture em uma taça grande, 50% de cerveja Guiness e 50% do champagne Veuve Clicquot. Pode substituir esse champagne por outro, mas a Guiness é indispensável. Santé.

Outra receita é um matinal, light e gostoso: coloque numa tigela granola light, reforce com aveia em flocos, duas nozes esmagadas e algumas blueberry fresquinhas. Coloque iogurte de sua escolha (o ideal é o light).

Postado por S.A.R. Ewerton Reubens Coelho Costa – Arquiduque de Chantilly; Duque de Cognac; Conde de Stroganov; Barão de Gourmandise e Grão-Mestre desta Confraria

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